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| Foto: Reprodução/Instagram @raquellyraoficial |
A eleição para o Governo de Pernambuco mudou de desenho nos últimos meses. Raquel Lyra, que chegou a aparecer bem atrás de João Campos nas primeiras pesquisas, passou a liderar com vantagem, embora esteja em empate técnico nos levantamentos mais recentes.
A mudança veio acompanhada de uma melhora na avaliação do governo.
Na Quaest de agosto, 68% dos pernambucanos disseram aprovar a gestão da governadora. No Datafolha do mesmo período, 66% afirmaram aprová-la, enquanto metade classificou o governo como ótimo ou bom.
Ao mesmo tempo, Raquel construiu uma vantagem política expressiva nos municípios. Levantamentos recentes apontam que a governadora reúne o apoio de cerca de 140 dos 184 prefeitos pernambucanos, uma vantagem bastante expressiva sobre João Campos.
É aqui que talvez esteja uma das explicações para a mudança do cenário.
Raquel conseguiu transformar a condição de governadora em presença política no interior. Obras, investimentos e a relação direta com os prefeitos criaram uma rede que hoje alcança praticamente todo o Estado. Não significa que o eleitor necessariamente acompanhe a escolha do prefeito, mas significa que a governadora chega à eleição com uma estrutura política muito mais capilarizada.
Há ainda outro fator: Raquel conseguiu reunir em torno de sua candidatura grupos políticos bastante diferentes, evitando ficar presa a uma única corrente ideológica. Sua campanha se apresenta cada vez mais como uma disputa pelo comando de Pernambuco, e não apenas como uma extensão da polarização nacional.
Os números ajudam a dimensionar essa mudança.
A Quaest, divulgada no fim de agosto, apontou Raquel com 44% contra 36% de João Campos no primeiro turno e 47% contra 37% em um eventual segundo turno. O Datafolha também mostrou vantagem para a governadora, com 47% contra 40%.
A pesquisa RealTime Big Data, realizada posteriormente, foi a exceção: apontou empate em 43% a 43% no primeiro turno e 44% a 44% no segundo, resultado praticamente igual ao levantamento anterior do mesmo instituto.
É justamente aí que a análise fica interessante. A percepção que se tem nas ruas nos últimos dias parece ser de uma Raquel mais forte do que aquela retratada pelo último RealTime.
As mobilizações em diferentes regiões, a presença de lideranças e a participação popular nos atos recentes reforçam a impressão de que a governadora atravessa um momento de maior força política. Isso, naturalmente, não substitui uma pesquisa de intenção de voto, mas ajuda a compor o cenário.
Por isso, se os próximos levantamentos confirmarem a tendência das pesquisas anteriores, o empate apontado pelo RealTime poderá acabar sendo visto mais como uma fotografia fora da curva do que como o retrato predominante da disputa.
Hoje, pelo conjunto dos números e pela movimentação política recente, há elementos para acreditar que Raquel pode estar mais à frente dos 43% registrados naquele levantamento — ou, talvez, que seu adversário esteja um pouco abaixo dos mesmos 43% apresentados pelo instituto.
