Diminuir drasticamente a segunda maior causa externa de mortes em Pernambuco. Esse é o desafio do Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto que reuniu-se pela primeira vez nesta terça-feira (21/06) sob o comando do governador Eduardo Campos. Criado no mês de maio, através do Decreto 36.568, o grupo será coordenado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e já definiu suas ações prioritárias.
O trabalho do Comitê vai girar em torno de quatro eixos, que serão tratados em câmeras técnicas especificas. São eles: alteração da legislação para motos; política de repressão; atenção aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e educação e sensibilização social. No próximo dia 14, os grupos de trabalho voltam a se reunir com o governador para apresentar o planejamento inicial das atividades.
Somente de janeiro a abril deste ano, o Detran registrou 674.002 novas motocicletas em circulação no Estado. Os acidentes com esses veículos respondem hoje por 30% do total registrado em Pernambuco com vítimas fatais, segundo números da Secretaria Estadual de Saúde. Os homens aparecem em 89% dessa triste estatística e 65% deles têm entre 20 e 39 anos. Aos que sobrevivem, sequelas motoras, psicológicas e mutilações são as consequências mais comuns.
Diretor de Fiscalização do Detran, Sérgio Lins afirmou que o órgão vai intensificar as ações de repressão. “Estamos capacitando mais agentes de trânsito para aumentar a fiscalização, passando de 130 para 180 profissionais habilitados até o final de julho. O Batalhão de Trânsito também vai receber 80 novos agentes”, informou.
O uso de EPI como sapatos fechados, joelheiras, cotoveleiras e o tirante refletivo também será incentivado. O secretário de Saúde, Antônio Carlos Figueira, destacou que o Comitê analisa a possibilidade de obrigar profissionais como motoboys e mototaxistas a trabalhar usando o kit completo de proteção individual.
“Essa verdadeira epidemia que está ocorrendo no Brasil tem impacto em diversas áreas. A saúde sofre com a superlotação das grandes emergências, por exemplo” disse Figueira. Em 2003, o custo médio de um paciente grave internado na rede pública superava R$ 124 mil. Segundo o IPEA, a estimativa é de que esse montante suba em torno de 35% ao final deste ano.
Ao abrir a reunião de hoje no Palácio do Campo das Princesas, o governador cobrou o empenho de todos os envolvidos. “Vou pedir aos senhores para que não deleguem a mais ninguém a presença nessas reuniões”, disse, referindo-se aos secretários de Estado e presidentes de órgãos. “Vamos definir linhas de ações muito objetivas de educação, conscientização e, sobretudo, de valorização da vida”, completou.
Além da Secretaria de Saúde, fazem parte do Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto membros das secretarias de Transporte, Educação, Cidades e da Criança e da Juventude. As outras instâncias envolvidas no projeto são o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Detran, CTTU, Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Sindicato dos Motociclistas, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM), entre outras instituições voltadas para a questão.
Por sugestão do vice-governador João Lyra Neto serão incorporados ao Comitê a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv).
Fonte: Portal PE